
As origens do cinema requer muito mais que estes conhecimentos triviais. A Sétima arte é um tema que abrange muitas ramificações, entre elas, a possibilidade de tornar-se um portal para exibição dos mais diversos discursos ideológicos, aos quais analisaremos dentro das próximas semanas. Como citou Peter Greenway em determinado momento de sua carreira, “hoje os filmes vão mais às pessoas do que as pessoas vão aos filmes”. Emblemática citação serve como estampa para abertura desta coletânea de artigos, que possibilitará a você, leitor, a compreensão das mudanças incisivas que ocorreram desde este primeiro momento (o cinema mudo) até o cinema contemporâneo, o qual será analisado nos momentos finais desta seleção.
PRIMEIRO CINEMA: O cinema mudo
Quando o cinema surgiu, ainda não havia sido
fixado um código próprio e este encontrava-se misturado a outras formas
culturais: cartuns, revistas ilustradas e cartões-postais. Segundo alguns
historiadores, não existe um único descobridor do cinema, e os aparatos não
surgiram em um só lugar. Foram frutos de circunstâncias.
Segundo o historiador Andre Gaudrecult, há nas origens do cinema, mostração e a narração. A mostração envolve a cena indireta de fatos, ao passo que a narração envolve a manipulação desses acontecimentos pela atividade constante do narrador. Já o historiador Tom Gumming contribui com os estudos da história do cinema comprovando através de suas pesquisas que o primeiro cinema tinha uma maneira particular de se dirigir ao espectador, apoiando-se no exibicionismo. Não havia habilidades técnicas para contar histórias, mas sim, chamar atenção do espectador de forma direta e invasiva.
Inicialmente, tinha-se os nickleodons, marco inicial da atividade cinematográfica verdadeiramente industrial. A maioria dos filmes eram produzidos em plano único e a duração média dos filmes era de 5 a 10 minutos. Naquele momento, os espectadores estavam interessados nos filmes como forma de espetáculo visual. A maneira de se contar as histórias não chamava atenção. Foi com a explosão dos nickleodons que forçou-se a reorganização da produção, provocando mudanças nos aspectos da arte cinematográfica, ainda uma inovação fantásticas para todos, dos produtores culturais do período aos espectadores.
Em 1907, os filmes começaram a utilizar convenções narrativas especificamente cinematográficas, na tentativa de construir enredos auto-explicativos. O melodrama e a defesa da ordem social passaram a ser os gêneros dominantes. A crítica de muitos historiadores dizia que os primeiros filmes eram demasiadamente teatrais. Desfilaram no cinema desse período, estereótipos raciais, religiosos e de nacionalidade. Houve gozações de caipiras, imigrantes, policiais, vendedores, trabalhadores rurais e manuais.
Os cenários eram bastante simples e teatrais,
o deslocamento dos atores se dava sempre pela lateral, acentuando a sensação de
platitude (monotonia) e de teatralidade. Neste período, a câmera ficava
estática, de modo a mostrar o corpo inteiro de um conjunto de pessoas,
realizando panorâmicas apenas para reenquadrar certas ações mais movimentadas.
Em 1898, as tensões entre Estados Unidos e Espanha na disputa por Cuba e pelas Filipinas aumentou consideravelmente a demanda por imagens de guerra. É interessante perceber como nos primórdios tudo era realizado de forma pitoresca e adequada, claro, ao seu tempo. O primeiro King Kong (apenas como exemplo, pois não se encaixa no período aqui explorado) trazia uma salamandra como vilão. Essa salamandra foi adaptada e inseridos os efeitos técnicos da época. Em Battle of Manila Bay reproduziu-se, com barquinhos de papel sobre um tanque de água, a batalha entre Estados Unidos e Espanha. As filmagens foram realizadas em primeiro plano em um aquário com peixes vivos.
Havia as gags naquela época. Gags são as formas narrativas mais antigas do cinema. É uma piada visual cujo desenvolvimento narrativo tem duas fases, a preparação e o desfecho inesperado. Os filmes de perseguição eram muito populares, sinalizando uma preferência do público por ficções auto-explicativas. Algumas narrativas eram relatos incompletos que se apoiavam no conhecimento que o espectador já possuía sobre o assunto ou completados pelo comentador.
Entre 1907-1913, o cinema aos poucos organizou-se de forma industrial, estabelecendo uma especialização da várias etapas de produção e exibição de filmes, que passaram a ser mais compridos, atingindo cerca de 15 minutos. A figura do produtor, hoje indispensável numa produção cinematográfica surgiu neste período de transição do primeiro cinema. Nesta fase, podemos perceber o desenvolvimento das técnicas de filmagem, atuação, iluminação e enquadramento, no sentido de tornar a narração mais clara para o espectador.
Durante o período de transição, empresas da européias dominaram o mercado internacional. Aferimos então que de inicio, não era o cinema norte-americano que dominava o cinema mundial. As mudanças são circunstâncias políticas e culturais que serão citadas e analisadas nos próximos textos desta coletânea. Entre uma transição e outra, os americanos lançam o primeiro e mais longo espetaculoso filme: The Birth of a Nation (O nascimento de uma nação), longa que trazia a Guerra Civil americana como tema central.
Para melhor entender este período, recomenda-se ler sobre George Mélies. Ilusionista francês de
sucesso e um dos precursores do cinema, usava inventivos efeitos fotográficos para a criação de mundos fantásticos. Melies era proprietário do Théatre Robert-Houdin em Paris, que anteriormente havia pertencido ao ilusionista Jean-Eugène Robert-Houdin. Ganhou um protótipo criado pelo cinematógrafo inglês Robert W. Paul e ficou entusiasmado com isso, tanto é que saía filmando cenas do quotidiano em Paris.
Quando o cinema chegou no Brasil
A primeira exibição
de cinema no Brasil aconteceu em 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, por
iniciativa do exibidor itinerante belga Henri Paillie. Naquela noite, numa sala
alugada do Jornal do Commercio, na Rua do Ouvidor, foram projetados oito
filmetes de cerca de um minuto cada, com interrupções entre eles e retratando
apenas cenas pitorescas do cotidiano de cidades da Europa. Só a elite carioca
participou deste fato histórico para o Brasil, pois os ingressos não eram
baratos. Um ano depois já existia no Rio uma sala fixa de cinema, o "Salão
de Novidades Paris", de Paschoal Segreto.
Desenvolvimento
e negócio
O ilusionista
francês, Georges Mélies começou a exibir filmes em 1896,
quando ganhou uma "filmadora".
Ele foi pioneiro em alguns efeitos especiais. Seu filme "Le Voyage dans la Lune" (ou "Viagem à Lua") de
apenas 14 minutos foi provavelmente o primeiro a tratar sobre o assunto de
alienígenas.
Edwin S. Porter que
se tornou cameraman de Thomas Edison usou pela primeira
vez a técnica de edição de imagens. Em seu filme "Life of an American
Fireman"de 1903 é possível ver duas
imagens diferentes mas que ocorreram simultâneamente, a visão de uma mulher
sendo resgatada por um bombeiro e a mesma cena com a visão do bombeiro
resgatando a mulher. Em "The
Great Train Robbery" (1903),
um dos primeiros westerns do cinema, o grande legado foi o "cross-cutting" com
imagens simultâneas em diferentes lugares. Mas o mais importante em Porter, foi
que o final do filme "The Great Train Robbery" teve que ser mudado,
por motivos morais e éticos, visto que originalmente os bandidos se saiam bem
no final, o que passava uma ideia de impunidade ao povo, se mostrava a partir
dai, um cinema "educador".
O desenvolvimento de
filmes fez crescer os nickelodeons,
pequenos lugares de exibição de filmes onde se pagava o ingresso de 1 níquel,
no qual se juntavam uma grande quantidade de pessoas, chamando a atenção da
elite para o poder de influencia daquelas exibições. Os filmes também começaram
a crescer em duração. Antes um filme durava de 10 a 15 minutos. Em 1906, o filme australiano "The Story of the Kelly
Gang" tinha 70 minutos
sendo lembrado até hoje como o primeiro longa metragem da história do cinema.
Depois do filme australiano, a Europa começou a produzir filmes até mais
longos: "Queen
Elizabeth" (filme
francês de 1912), "Quo
Vadis?" (filme italiano
de 1913) e "Cabiria" (filme italiano de 1914), este último com 123 minutos de
duração.
Em janeiro de 1914 foi exibido um filme com mais de 8 horas de duração apresentado e narrado por Charles Taze Russell, fundador do movimento religioso dos Estudantes da Bíblia (chamados atualmente de Testemunhas de Jeová) e da Sociedade Torre de Vigia.] O Fotodrama consistia de um conjunto de slides com pinturas coloridas descrevendo o relato criativo bíblico desde a criação do Universo aos dias atuais, se prolongando pelos 1.000 anos futuros do reino de Jesus, segundo as crenças de Russell. O filme consistia em 96 gravações de pequenos discursos bíblicos, narrados por um locutor bem conhecido da época. Muitas cenas eram acompanhadas por música clássica.
Operadores habilidosos usavam fonógrafos para tocar as gravações de música e voz, sincronizando o som com slides e filmes coloridos que encenavam histórias famosas da Bíblia. Foi o primeiro filme a incluir som sincronizado e imagens coloridas.
Em janeiro de 1914 foi exibido um filme com mais de 8 horas de duração apresentado e narrado por Charles Taze Russell, fundador do movimento religioso dos Estudantes da Bíblia (chamados atualmente de Testemunhas de Jeová) e da Sociedade Torre de Vigia.] O Fotodrama consistia de um conjunto de slides com pinturas coloridas descrevendo o relato criativo bíblico desde a criação do Universo aos dias atuais, se prolongando pelos 1.000 anos futuros do reino de Jesus, segundo as crenças de Russell. O filme consistia em 96 gravações de pequenos discursos bíblicos, narrados por um locutor bem conhecido da época. Muitas cenas eram acompanhadas por música clássica.
Operadores habilidosos usavam fonógrafos para tocar as gravações de música e voz, sincronizando o som com slides e filmes coloridos que encenavam histórias famosas da Bíblia. Foi o primeiro filme a incluir som sincronizado e imagens coloridas.
Pelo lado americano, o diretor D. W. Griffith conseguia destaque. Seu filme, "The Birth of a Nation" (ou "O Nascimento de uma nação") de 1915, foi considerado um dos filmes mais populares da época do cinema mudo, causou polêmica porque foi mal-interpretado, onde um simples retrato da sociedade americana foi considerado uma glorificação da escravatura, segregação racial e promoção do aparecimento da Ku Klux Klan e Intolerance (1916) já"Intolerance: Love's Struggle Throughout the Ages" (ou "Intolerância") é considerado uma das grandes obras do cinema mudo, apesar da grande massa não ter entendido a proposta de quatro historias simultâneas, achando o filme muito confuso.
Em 1907, os irmãos Lafitte criaram os filmes
de arte na França com a intenção de levar as classes mais altas ao cinema já
que estes pensavam ser o cinema para classes menos educadas.
Hollywood
Até esta época, Itália e França tinham o cinema mais popular e poderoso do mundo mas com a Primeira Guerra Mundial, a indústria europeia de cinema foi arrasada. Os EUA começaram a destacar-se no mundo do cinema fazendo e importando diversos filmes. Thomas Edison tentou tomar o controle dos direitos sobre a exploração do cinematógrafo. Alguns produtores independentes emigraram de Nova York à costa oeste em pequeno povoado chamado Hollywoodland, graças a Griffith, que já o sugeria. Lá encontraram condições ideais para rodar: dias ensolarados quase todo ano, diferentes paisagens que puderam servir como locações e quase todos as etnias como, negros, brancos, latinos, indianos, índios orientais e etc, um "banquete" de coadjuvantes. Assim nasceu a chamada "Meca do Cinema", e Hollywood se transformou no mais importante centro da indústria cinematográfica do planeta.
Nesta época foram
fundados os mais importantes estúdios de cinema (Fox, Universal, Paramount)
controlados por judeus (Daryl Zanuck, Samuel Bronston, Samuel Goldwyn, etc.)
que viam o cinema como um negócio. Lutaram entre si e às vezes para competir
melhor, juntaram empresas assim nasceu a 20th Century Fox (da antiga Fox) e Metro Goldwyn Meyer (união dos estúdios
de Samuel Goldwyn com Louis Meyer). Os estúdios encontraram diretores e atores
e com isso nasceu o "star
system", sistema de promoção de estrelas e com isso, de ideologias e
pensamentos de Hollywood.

Começaram a se destacar nesta época comédias de Charlie Chaplin e Buster Keaton, aventuras de Douglas Fairbanks e romances de Clara Bow. Foi o próprio Charles Chaplin e Douglas Fairbanks junto a Mary Pickford e David Wark Griffith que acabaram criando a United Artist com o motivo de desafiar o poder dos grandes estúdios.
O cinema no mundo

Em alternativa a
Hollywood existiam vários outros lugares que investiam no cinema de arte e
contribuiam para seu desenvolvimento.
Na França, os
cineastas entre 1919 e 1929 começaram um estilo
chamado de Cinema Impressionista Francês ou cinema de vanguarda (avant garde em francês). Se destacaram nesta época
o cineasta Abel Gance com seu filme épico "Napoleon" e "J’Accuse" e Jean Epstein com seu filme "A queda da casa de
Usher" de 1929, ainda se destaca Germaine Dulac de "La Souriante Madame
Beudet". Ainda temos nesse movimento "A Moça da Água", de Jean Renoir, que mais tarde
ajudaria a construir outra escola de cinema: Realismo Poético Francês.
Na Alemanha surgiu o expressionismo
alemão donde se destacam os filmes "Das Cabinet des Dr. Caligari" ("O gabinete
do doutor Caligari") de 1920
do
diretor Robert Wiene, "Nosferatu", "Phantom" ambos de 1922 e do diretor Friedrich Wilhelm Murnau e Metrópolis de Fritz Lang de 1927. Outros filmes de destaque são:
"O Gabinete das Figuras de Cera" e "A Última Gargalhada".
Na Espanha surgiu o cinema
surrealista donde se destacou o diretor Luis Buñuel. "Un Perro andaluz" (ou "Um
Cão Andaluz" em
português) de 1928 foi o filme que mais
representou o cinema surrealista de Buñuel. Destaca-se ainda: "A Idade
do Ouro".
Na Rússia se destacou o
cineasta Serguei
Eisenstein que criou uma nova
técnica de montagem, chamada montagem
intelectual ou dialéctica. Seu filme de maior destaque foi "O
Couraçado Potemkin" (ou br: "O Encouraçado Potemkin")
de 1925. Já Dziga Vertov, de "O Homem
com a Câmera" se propôs
a um documentário sofisticado, chamado "Cine-Olho". Outros filmes de
arte russos de destaque são: "Aelita" e "Terra".
O dinamarquês Carl
Theodor Dreyer,
roda "Le Passion de
Jeanne D'arc", um filme mudo de 1928 com a atriz Maria
Falconetti no papel de Joana. Considerado por alguns um dos melhores filmes de
todos os tempos. O filme dá valor à expressão facial. Foi filmado na italia
Infelizmente, cerca
de 90% dos filmes mudos se perderam, por falta de cuidado ou de boa
conservação.
A era do som
Até então já haviam sido feitos experimentos
com som mas com problemas de sincronização e amplificação. Em 1926, a Warner Brothers introduziu o sistema de som Vitaphone
(gravação de som sobre um disco) até que em 1927, a Warner lançou o filme "The Jazz Singer", um
musical que pela primeira vez na história do cinema tinha alguns diálogos e
cantorias sincronizados aliados a partes totalmente sem som; então em 1928 o filme "The
Lights of New York" ,(também
da Warner), se tornaria o
primeiro filme com som totalmente sincronizado. O som gravado no disco do sistema Vitaphone foi logo sendo substituído por outro sistema como o Movietone da Fox, DeForest Phonofilm e Photophone da RCA com sistema de som no próprio filme.
No final de 1929, o cinema de Hollywood já era quase totalmente falado. No resto do mundo, por razões económicas, a transição do mudo para o falado foi feito mais lentamente. Neste mesmo ano já lançado grandes filmes falados como "Blackmail" de Alfred Hitchcock (o primeiro filme inglês falado), "Applause" do diretor Rouben Mamoulian (um musical em preto e branco) e "Chinatown Nights" de William Wellman (mesmo diretor de "Uma estrela nasce" de 1937). Foi também no ano de 1929 que foi criado o prêmio Oscar ou Prêmios da Academia que serve até os dias atuais como premiação aos melhores do cinema.
Aluna: Thaianne de Carvalho Duarte
Turma: 9 ano
B
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